Ser irmão de um autista: como lidamos com isso?

Lucas foi nosso segundo filho. Quando ele nasceu, já tínhamos a Amanda. Como um autista clássico, ele apresentava enorme dificuldade para se relacionar com outras pessoas, mas ela, muito pequena, não compreendia isso.

Certa vez, Amanda me disse que Lucas não a amava. Seu modelo de amor e interação entre irmãos eram as crianças de mesma família que brincavam na pracinha. Elas se abraçavam e demonstravam afeto umas pelas outras de diversas maneiras, razão pela qual nossa pequena foi levada a pensar que o irmão não nutria por ela esses sentimentos.

Eu tentei explicar para a nossa menina que não se tratava de não amar e sim de uma dificuldade que o irmão tinha de se relacionar com pessoas, quaisquer que fossem elas. Esclareci que o Lucas havia nascido assim e que estávamos buscando formas de tratá-lo para que isso fosse superado.

Resolvi falar sobre isso porque claramente minha filha sentia a ausência do irmão e, dadas as necessidades do Lucas, muitas vezes, sem perceber, poderíamos negligenciar a Amanda, o que obviamente não queríamos. A partir disso, sentimos enorme necessidade de acompanhar mais de perto a maneira como ela lidaria com isso.

A psicoterapia para nós foi essencial e quando falo nós, quero dizer que isso inclui toda a família. Esse acompanhamento foi muito importante para que tanto o Lucas quanto a Amanda tivessem reduzidos os riscos de que essas questões influenciassem a construção da sua personalidade. Para nós também foi fundamental a fim de que pudéssemos, como pais amorosos, lidar com isso de forma equilibrada.

Casada com Raimundo e mãe da Amanda e do Lucas.
Arquiteta e Urbanista e por força do destino, dedicada a trazer uma luz de esperança para famílias, que como a minha, receberam para seu filho ou filha, o diagnóstico do Autismo.
Atuando nas Hqs do Lucas, como roteirista e mãe do autor e ilustrador.

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Eliane Moura Quaresma