O mundo ilustrado de Lucas



Estratégia Saúde da Família, da CliniCASSI Belém, participa no processo de evolução do jovem autista

Meu nome é Eliane, tenho 55 anos, sou arquiteta em Belém (PA). Fui funcionária do Banco do Brasil durante 29 anos e, em 2015, me aposentei, após 22 anos trabalhando no setor de engenharia do BB. Casada com o analista de sistemas Raimundo Cesar Quaresma, somos pais de Amanda e Lucas.

Neste espaço, vou me dedicar a falar um pouco sobre Lucas, um lindo rapaz que recebeu diagnóstico de autismo severo ainda pequeno. A partir do diagnóstico, eu e meu marido fizemos uma verdadeira peregrinação em pediatras, neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos. Travamos uma luta na qual o apoio da CASSI foi fundamental.

Equipe da CliniCASSI Belém e Lucas com seu último lançamento da série "Medo de quê?"

Quando Lucas fez dois anos, soube que não haveria perspectiva de que meu filho viesse a desenvolver a fala de forma contextualizada, de estudar em escola regular, de demonstrar afeto. Sei bem como é difícil encarar uma notícia dessas, mas também não dava para permanecer arrasada, pois a vida seguia e não podíamos descuidar do desenvolvimento da nossa filha Amanda, um ano e meio mais velha.

Diferentemente de Lucas, Amanda apresentou desenvolvimento normal, o que me levava a comparar seu comportamento com o dele. Ao contrário da irmã, ele, desde bebê, não notava a existência da Amanda, não tinha prontidão, nenhum contato visual e não atendia ao próprio nome. O autismo do Lucas foi caracterizado como incapacitante, pois não havia nenhuma perspectiva para o seu desenvolvimento.

Com ajuda da CASSI, Lucas começou a frequentar psicóloga em Belém. Mantivemos dois tratamentos, ao longo de seis anos, por entender que de alguma forma eles se completavam. O de São Paulo, com auxílio da CASSI, e paralelamente, o tratamento do Rio, com o programa de estimulação, com ajuda do plano de saúde do meu esposo.

A estimulação precoce e intensa, aliás, foi a chave para o seu desenvolvimento. O tempo foi passando e ele seguiu aprendendo a ler com técnica diferente daquela ensinada na escola. Além disso, fazia equoterapia, ludoterapia, música, natação, psicoterapia e conseguiu estudar na escola regular.

O uso do computador permitiu agilizar bastante o material que produzíamos em casa, e com o tempo, migramos toda a estimulação de leitura, matemática e inteligência para dentro do equipamento. Para melhor estimular nosso filho, que era fixado em desenhos animados, usávamos vozes de personagens para contar números e ler palavras, sempre com muita criatividade, inclusive com a participação da Amanda.

O cunhado Rafael Felix e a irmã Amanda (em pé). Lucas e os pais Eliane e Raimundo Quaresma (sentados)

Nosso filho demorou muito para aprender a fazer coisas básicas, como higiene pessoal, aceitar o toque, aprender a nadar, se comunicar, correr. Muita superação ocorreu e continua acontecendo a cada dia. Nesse processo, houve muito interesse da família e de amigos em nos apoiar e ajudar, o que acontece até hoje, e que é muito importante para nós.

Lucas começou a ser atendido pela CliniCASSI em maio de 2015, mesma época em que foi cadastrado na Estratégia Saúde da Família na Equipe Pupunha.

A equipe multidisciplinar da ESF faz o acompanhando do desenvolvimento físico e mental do meu filho. Ele ainda conta com as ações da equipe de enfermagem, psicóloga e assistente social, que desenvolvem um trabalho ampliado sobre as necessidades dele. Há também contato da equipe da CliniCASSI com os profissionais da rede credenciada que prestam apoio nas demais terapias.

Nós aderimos ao tratamento proposto pela CASSI, há três anos, por entendermos que a família é ponto de apoio decisivo para o suporte prestado pelos profissionais de saúde. Isso fez com que a equipe pudesse conhecê-lo melhor, de forma a criar vínculo para desenvolver os cuidados adequados.

Os ganhos de Lucas com a intervenção da assistência da CliniCASSI foram obtidos, principalmente, no auxílio ao seu desenvolvimento cognitivo-comportamental.

Já se passaram 23 anos desde o diagnóstico de autismo, e tem sido um grande aprendizado diário para todos nós que convivemos com Lucas. Quanto aos estudos, ele sempre foi dedicado e não gosta de fracassar. Passou no vestibular no curso de Design de Produtos. Fiquei infinitamente feliz por ele.

Lucas colando grau em Design de Produtos

Hoje, com 25 anos, ele está atuando em uma empresa de arquitetura onde cumpre algumas horas com trabalho, aprendizado e socialização, e continua sendo estimulado em seu tratamento contínuo. Segue com psicoterapias, terapias ocupacionais e fonoaudiologia. Sempre vai ao cinema, desenha à mão, mas adora o computador e busca manter inúmeras amizades nas redes sociais.

Lucas mantém um site onde publica suas histórias em quadrinhos da coleção “Medo de quê?”. As publicações mostram de forma lúdica como encarar vários medos e é voltada ao público infantil. Ele também tem um site com outras histórias com temas variados e de sua imaginação ou vivência, como: “Tire a Amanda do computador”, entre outras. Para conhecê-las, é só acessa o site www.hqsdolucas.com.

Fico muito feliz em compartilhar a trajetória de Lucas e levar esperança aos pais de outras crianças com o mesmo diagnóstico. Penso que buscar a felicidade é fundamental. É importante não permitir que a tristeza entre em nossas casas.

Texto enviado por Eliane Quaresma, 55 anos, arquiteta e aposentada do BB, mãe de Amanda e Lucas, seus filhos queridos, hoje com 26 e 25 anos, respectivamente.


Notícia completa em: http://www.cassi.com.br/images/hotsites/acassiquerconhecersuahistoria/historias.htm

66 visualizações

© 2020 por HQs do Lucas.

  • Instagram